quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O fechar das cortinas



"Você já se sentiu sem coragem até mesmo para dormir?
as primaveras vem passando e você continuou parado
esperando o mesmo perfume sentir
Não sabe como chegou lá, por isso não soube voltar
e o buraco que se encontra está cada vez maior
não há outro lugar pior para estar"


Calmamente seus olhos desviam a mira
sem coragem até mesmo para encarar
você não foi feito disso, mas se tornou parte
e por mais que recuse, o mundo continua a cair

e não percebe que é só você que ganha todo esse fardo?
não percebeu que essas brincadeiras já foram feitas antes?
não há mais graça nas suas malicias, não há mais mistério no teu olhar
você se tornou outra carta marcada

Comemore a sua fossa, faça a maior coreografia da festa
todos sabem que você já se perdeu e um ritmo passado
dê seu ultimo adeus para aquele desconhecido
os olhos dele não enganam - e não revelam nada pois não há nada -

E por mais que aquela voz no fundo da sua consciência diga para correr
Já se afogaste no rio das tuas ilusões
Você bebeu demais do que queria beber
pensou mais do que falou
e chorou até quando não foi tu que errou.


Matheus Longaray

domingo, 4 de agosto de 2013

Algum lugar entre meus sonhos



Mais uma noticia na radio que a enchente dos teus olhos
alagou toda a tua casa e não sobrou nada, foi tudo embora
as tuas cortinas da sala estavam azuis
e a tinta vermelha do teu coração escoou rapidamente
foi um longo caminho até deixar tudo em paz.

O fogo da tua lareira ficou gelado
o teu corpo esfriou ao lado do meu
enquanto olhávamos para o céu estrelado
deitados naquele carpete macio que tu gostava de gabar
e tu esqueceste de morrer e continuou a viver tristemente
o quarto estava limpo, curiosamente nunca esteve
esperou morrer para dar rumo na vida?

Tem sido difícil ouvir os choros do teu corpo terreno
as fotografias estão guardadas em cima do guarda-roupas
as vezes dou uma polida, você sabe, a rinite que tu tinhas
continua no teu cadáver...

Cavei uma cova no quintal do teu patio, mas acho que é para mim
por isso ainda não escrevi o teu ou meu nome nele
mas se eu morrer, quem irá lembrar de ti do mesmo jeito que eu lembrava?
quem te escreveria musicas?

O teu corpo ainda se lamenta de pecados passados
dizendo que os pensamentos ainda doem
ele anda muito triste, colhendo as flores do jardim
ainda cuida do teu pequeno jardim, mas as mãos geladas
impossibilitam uma maior sensibilidade ao lidar com flores

por fim, vou indo, tenho muito trabalho na tua casa
mas saiba que continuas se vestindo tão bem quanto tu se vestia viva
Espero te ver em breve, um beijo.


Matheus Longaray

sábado, 27 de julho de 2013

Colombina



Senta aqui e olha para dentro dos meus olhos escuros
me diz o que ta acontecendo, o que te fizeram?
não tinha ouro no arco-iris?
Tudo bem, se acalme, eu estou aqui agora


eles não te falaram, não é?
eu sei, eles nunca dizem
você só foi mais um peixe fisgado
não chora, o carnaval vem chegando
ontem vi os palhaços correndo pela rua


A tempestade pode ter sido forte no teu copo
provaste de um vinho azedo
não olha para trás, de lá não vem mais nada
encoste a cabeça no travesseiro
o circo já foi, por hoje não faremos mais nada
mas amanhã ponha o teu vestido de sair
tenho alguém pra te apresentar.


Matheus Longaray


sexta-feira, 12 de julho de 2013

O cachorro



A arvore que plantamos já não vive mais
O apartamento que dividíamos está frio novamente
As bebidas ainda estão nas taças e o seu batom está no bidê
E você só pensa em como vai ganhar o coração de outro tolo

Ás vezes, quando você não os acha, acaba voltando para mim
Pois sabes que meu coração bobo te acolherá ainda quente
Mas enquanto isso, teu pensamento está em outro
Não aguento mais o jeito que você me trata
Eu não sou o seu cachorro para poder me trancar em casa
E sair por ai sem querer que eu chore e uive por você


Porém quando está carente, você me da o maior amor que já senti
Dessas migalhas eu tenho me fingido de cego
E toda vez que eu tenho a chance de jogar a pedra
Eu acabo te chamando de linda, e tudo volta ao normal

Você pode comprar a minha coleira naquela esquina da rua principal
Que você costuma passar e paquerar outros rapazes, como você sempre fez
E como eu sempre te vi, do jeito que te conheci
Mas você sempre fez questão de esquecer de comprar outro coração pra mim

Então não me alimente que vagamente irei embora
Achar algum trapo ou coração para me aquecer
Do jeito que tu nunca fez.


Matheus Longaray

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Olhos




Tão inversamente são nossas personalidades
Não temos menor chance de ir mais afundo
Além de apenas boas conversas na madrugada
muito raso para um sentimento profundo

o monstro e a princesa
a pedra bruta e a escultura
o chão e o céu
nunca na mesma historia
Você deveria ter vindo antes

Não consigo te ver a noite inteira
não posso te alcançar
somos de diferentes instintos
queria conseguir te roubar um olhar descuidado
um olhar de malicia, um olhar de te quero
algum olhar, só pra mim.

Matheus Longaray

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Olho Mágico



Na medida que o tempo continua passando
em meses, semanas,dias, horas, minutos e segundos
parei meu ritmo para ver velhas fotografias
do meu eu sorridente naquela copia daquele momento
algumas engraçadas e outras nem tanto porém,
cheguei em uma foto que não faz muito tempo
uns 3 anos no máximo, e vi que sem nem ao menos perceber
eu tinha mudado drasticamente a aparencia
um guri magricela, sem barba e com o mundo nas costas
sorrindo como se fosse uma pessoa realizada na vida
imediatamente me olhei no espelho e aquele estava
com mais peso, cabelos longos,barbado e calejado
de todas as vezes que teve que se reerguer
alguém muito mais forte do que aquele guri indefeso
as feições do rosto já mostram um feitil de homem
a barba escondendo levemente o rosto jovial

Entretanto, naquela mesma foto, rodeado de amigos
alguns ali nunca mais vi, seguiram seus rumos e
não sobrou mais nada do que lembranças daqueles amigos
alguns deixaram historias que marcaram, outros nem tanto
e alguns restaram e os vejo quando posso

Eu não consegui esquecer o meu olhar penetrante
parecia que eu sabia que anos depois eu iria olhar aquela foto
parecia que aquele olhar era pra mim mesmo
o olhar de um adolescente para seu eu 3 anos mais velho

Contudo, eu que achava que não tinha mudado ao passar dos anos
vejo que estava errado.
Além do que se vê, a presa se tornou o predador
carregando um sorrido mais brilhante do que carregava na foto
como de quem que estava apenas começando uma jornada.

Espero que na medida que eu envelhecer, todas as fotos que olhar
eu consiga perceber que estou cada vez mais sorridente
e ser alguém muito mais vivo do que um dia fui.


Matheus Longaray


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Grato pela paz




Nunca vou achar um jeito que me seja vulneravel
enquanto os raios de sol invadem meu quarto
eu posso dizer que o mesmo vai sair dali ao meu despertar
e pode alguém assistir algo tão engraçado quanto a isso?

E tudo que eu sinto é que meu corpo está longe daqui
perdendo totalmente o que eu tenho, é apenas mais um dia ensolarado
eu não tenho mais pelo o que esperar
algumas vezes penso que uma estatua mostra algo mais verdadeiro que eu
mas na verdade alguém que mergulhar em mim verá que sou um paraíso
de pensamentos e sentimentos perdidos no tempo

Não me importo se você continuar chorando pelo seu mundo desperdiçado
entre flashes,frases e flores mortas sem sentido algum
o que os falsos reis e falsos profetas diziam
não eram muito diferentes do que você julga "sentimentos"

Não muito diferente do que um dia fui
a estrada acaba aqui mais uma vez
ou mais tarde em alguma hora perdida
ou amanhã se você não cansar de me olhar
mas é que dessa vez...
bom dessa vez eu lhe agradeço pela paz.

Matheus Longaray