sábado, 12 de abril de 2014

Eu Peço

É tarde demais sairmos para sentir a noite?
sei que a minha voz já acabou
mas enquanto esses dias não terminarem
a minha vida vai estar sempre encharcada

as mais belas palavras já foram ditas
e o mais verdadeiro amor já foi entregue
então não me cobre individualidades
e valores nas quais eu ainda não possuo

Não me vista como um chapéu de sair
nem como um vestido de verão
eu ainda estou preparando meu terreno
meu coração é jovem demais para se perder
eu gostaria que você entendesse.


Matheus Longaray

sábado, 5 de abril de 2014

Quebra Montanhas



Me veja agora que estou jogado aos seus escrupulos
e não quero entender como foi chegar a isso
é apenas outra historia fria que sopra em mim
toda vez que isso explode em minha frente
eu fecho os olhos para ver acabar

Algumas flores são diretamente feita para os mortos
e algumas outras são feitas para entregar ainda em vida
porém todas que te dei foram jogadas fora
como um papel amassado
e eu não posso mais lamentar as pétalas caídas
porque isso foi tudo o que restou de nós

De tudo um pouco que sobrou, eu engoli com vinho
que me aqueceu até a manhã
mas nada tem sua importancia quando eu me levanto
é como se uma lacuna fosse aberta
deixando o vento gélido passar entre minhas angustias
por mais que eu não tenha concebido pela fé
em pouco tempo eu vejo a correnteza parar de me afogar

Engraçado que nada teve tanto a ser dito
o que foi dito eram apenas mentiras
usadas para adiar a tal prova de amor
e mesmo assim, tudo foi tão convencional
até mesmo o nosso tchau.


Matheus longaray

domingo, 30 de março de 2014

Aonde deu errado.





Levei tempo até perceber que o por-do-sol não eram despedidas da luz
demorei tanto tempo para aprender que a chegada da lua era tão importe quanto eu mesmo
porém os buracos que criamos no fim das nossas historias
suga tudo o que tínhamos escrito até agora, sem ter o que dizer no final do filme
Aquele filme que ensaiei a minha vida toda e esqueci como se encerrava

Assim passei com a cabeça latejando pelos dias e anos
mas a representação de tempo não foi o suficiente
para me fazer entender que eu não teria mais alguma oportunidade
no entanto, teria aquele gosto azedo na minha boca
o azedo gosto da amargura.

E supostamente era pra ser tudo vazio e gelado
mas sempre achamos o jeito de colorir as paredes
azul ou vermelho, cores frias ou quentes
eu não fui o responsável por tudo que foi pintado
de qualquer forma, a forma que isso se tornou
uma forma qualquer.

Isso rondeia e rondeia e eu fico tonto
eu esbarro nos obstáculos que coloquei para não me acharem
eu bebo o meu próprio veneno todos os dias
sobe pelas veias e morre no coração
um triste modo da morte não querer me levar
sendo assim, eu vou continuar sentado sozinho
olhando o que tiver para ser visto
e até lá, acharei algum nascer do sol
que valha a pena chorar pela sua chegada.

Matheus Longaray

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ontem




Deixe isso ficar assim, escorrendo dentro de um vazio frio como tem de ser,
e se não encontrar deixe ficar desse modo, de modo que ninguém encontre.
Sempre houve algo a mais, mas de qualquer maneira eu tento outra vez e mesmo que nada mude; eu entendo não há mais nada pelo que apostar
e assim tudo vai e assim tudo vem como o fogo esperando pela chuva
o espaço é um oceano sem fim e nele eu tento achar outros monstros para lutar

E quando todos dizem que ninguém realmente me conhece, eu apenas rio e concordo
peço outra dose e me atiro na cadeira, de maneira como se estivesse satisfeito
eu deixei os meus muros caírem querendo ver além, e realmente eu enxerguei
o que eu vejo é um escoo de uma sociedade de aparências

Ontem eu sabia que a vida representava, porém hoje eu já não sei
eu mereço saber o que eu preciso ter para entender certas coisas?
ou só preciso andar e seguir de modo que a correnteza me levar?
e no dia que eu finalmente achar o que eu pretendo encontrar
nesses dias eu tentarei perder a memoria e começar tudo de novo
e quando chegar no fim, eu vou querer morrer como indigente.

Matheus Longaray

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Dom Narciso



Qualquer forma que eu tenha pra te dizer que os ventos mudaram ao meu favor
e me trouxeram lembranças de ti, lembranças do teu cabelo negro como buracos no espaço
e a forma ser estar sempre perdida dentro de si mesma
tua pele fina e teu olhos que enxergam dentro de mim

o assassino estava me esperando no dobrar da esquina
eu deveria ter entendido os sinais
que a conversa era cada vez mais breve
e a saudade no fim da semana não era tanta
a presença era facultativa

o crime já tinha sido feito, alguém ia se machucar e ninguém ia ser culpado
até que não tenha sobrado uma gota de mim
eu me joguei no buraco negro do espaço
permaneci lá até achar o caminho para si

talvez eu precisasse me perder e me encontrar novamente
e necessitei alguém para matar o meu amor
para não me iludir com miragens da perfeição
pequeno narcisista.

Matheus Longaray

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Diagnóstico



Confidentemente eu tenho visto que a existencia da minha presença em volta desses muros
não tem surgido efeito nenhum em base de um crescimento próprio
apenas tem provocado algumas certas angustias e lágrimas indesejadas
a certeza que eu tenho é que meu orgulho diluiu-se
a outra certeza é que aprendi a ter controle de tudo que não tive

Dormir tem ficado difícil pois a consciência não quer parar de ouvir meu nome
o que acontece é que exagerei nas doses de vicios por ti
na qual tem resultado uma forte dependencia da tua voz calma
que me resguarda dessa noite hostil

Costumo rir até me entorpecer por completo
costumo sonhar com a minha realidade improvável
não tenho mais hora pra nada

tenho tanto tempo sobrando, querendo desperdiçar em ti
mas não conte que ando me perdendo
pois nesse caminho não há mais volta

E toda vez que vejo a lua, ela me lembra um pouco você
mas já cansei dessa mediocridade
não quero mais sentir essa ressaca vazia

Já que meus passos estão tão confusos quanto minha mente
o que me receito é me equilibrar aonde der
e em quem puder, pois esse corpo já não me pertence
então, tanto faz o que eu fizer com ele
irei desperdiça-lo por aí.


Matheus Longaray

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Boa chance



Mas no fim não adianta muita coisa,
no fim já não está mais em questão onde isso vai parar
eu queria ter certeza de tudo, mas por enquanto,
enquanto tudo for escuro e meus olhos não conseguirem enxergar,
vou permanecer em silencio, como um peixe pronto para ser fisgado.

Ela morreu? ela morreu?

As vezes, na cama, me acordo durante a madrugada me fazendo essa pergunta
e me faz pensar que na verdade...
quem morreu foi eu.

Matheus Longaray